domingo, 22 de novembro de 2009

Filosofia matinal

Minhas madrugadas são assim; vazias, solitárias. Quando as poucas companhias que ainda me dão alento se vão, fico a sós com meu pensamento. Este torna-se, então, o meu maior tormento. É quase impossível conter a chuva torrencial de ideias que brotam de meus neurônios. Dizia Platão que o quê o homem vê são apenas as sombras projetadas pelo mundo das ideias nas paredes rebuscadas do cotidiano. Eu ergo a mão e o questiono. Mesmo sendo a alma imortal, é possível que aquilo que se vê não seja, exatamente, parte da realidade? Pode ser que um homem de agora não será o mesmo homem daqui a duzentos anos. Mas, onde ficaria este mundo de clareza? Seria uma alusão para o céu da religião Católica? Ou apenas um ponto de vista utópico e romântico? Não sei do quê o mundo é feito; não sei para onde todas as coisas do universo irão. O que eu sei é que, na condição de animal racional, sinto-me imensamente cansada de pensar sobre a definição de alguém que, certamente, é muito mais inteligente do que eu. Teoricamente, existe uma explicação para aquilo que se pode ver. Mas... e o que se sente? Existirá, também, um mundo paralelo onde habita a fôrma dos sentimentos? Se for assim, nada do que vivemos é original, ou até mesmo real. Se for assim, vivemos uma mentira, uma alusão produzidas por fenômenos ópticos que nem mesmo a própria física sabe explicar. Estaria Platão defendendo a ideia de que a vida que se vive não é, necessariamente, vivida plenamente? Tudo passa a fazer sentido, e a mágica da filosofia acontece! Agora entendo os meus dissabores! Agora entendo as minhas preocupações, e todos os meu temores! Minha vida não é real! Meu problemas são fictícios! Posso descansar em paz porque, ao final, nada disso terá importância. O que mais é um sonho, para quem não precisa viver a vida, senão uma sombra projetada na parede do mundo?

Desplugue sua mente.

Desplugue sua mente.
Viva a vida fora da prisão eletrônica.