Minhas madrugadas são assim; vazias, solitárias. Quando as poucas companhias que ainda me dão alento se vão, fico a sós com meu pensamento. Este torna-se, então, o meu maior tormento. É quase impossível conter a chuva torrencial de ideias que brotam de meus neurônios. Dizia Platão que o quê o homem vê são apenas as sombras projetadas pelo mundo das ideias nas paredes rebuscadas do cotidiano. Eu ergo a mão e o questiono. Mesmo sendo a alma imortal, é possível que aquilo que se vê não seja, exatamente, parte da realidade? Pode ser que um homem de agora não será o mesmo homem daqui a duzentos anos. Mas, onde ficaria este mundo de clareza? Seria uma alusão para o céu da religião Católica? Ou apenas um ponto de vista utópico e romântico? Não sei do quê o mundo é feito; não sei para onde todas as coisas do universo irão. O que eu sei é que, na condição de animal racional, sinto-me imensamente cansada de pensar sobre a definição de alguém que, certamente, é muito mais inteligente do que eu. Teoricamente, existe uma explicação para aquilo que se pode ver. Mas... e o que se sente? Existirá, também, um mundo paralelo onde habita a fôrma dos sentimentos? Se for assim, nada do que vivemos é original, ou até mesmo real. Se for assim, vivemos uma mentira, uma alusão produzidas por fenômenos ópticos que nem mesmo a própria física sabe explicar. Estaria Platão defendendo a ideia de que a vida que se vive não é, necessariamente, vivida plenamente? Tudo passa a fazer sentido, e a mágica da filosofia acontece! Agora entendo os meus dissabores! Agora entendo as minhas preocupações, e todos os meu temores! Minha vida não é real! Meu problemas são fictícios! Posso descansar em paz porque, ao final, nada disso terá importância. O que mais é um sonho, para quem não precisa viver a vida, senão uma sombra projetada na parede do mundo?
domingo, 22 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Lugar e tempo
Estive a pensar, nas últimas quarenta e oito horas de minha atormentada vida, o quão engraçada é a situação humana. Vivemos apoiados em sonhos e fantasias. E nossa convicção de que aquilo que idealizamos, perfeito em sua plenitude, é tão sólida que, a qualquer brisa que soprar e ameaçar derrubar o império imaginário que construímos para nós mesmos, cai por terra a esperança e a racionalidade. Ai de mim, que costumo pensar com o coração e não com a cabeça. Hei de iludir-me, hei de sofrer a praga do sonho que não se realiza. Se eu pudesse desvendar os mistérios da vida, e mais, os mistérios de mim mesma, talvez minha lamentação não fosse necessária. O fato é que, quanto mais eu sopro a neblina da minha mente, mais as brumas do mistério me envolvem e me carregam para longe. E é tão longe... Eu não me encontro. Eu não encontro o sentido do que digo. Eu não encontro as peças do meu coração partido, nem as migalhas dos sonhos que alimentei num passado não tão distante. Recolherei, se ainda houver forças, os pedaços de mim que caíram conforme eu cantava os hinos da felicidade fingida. Se for preciso olhar para trás, prefiro que meus olhos percam a cor. Então, minha vida perderá o sentido, e o caminho que seguirei será apenas meu, de mais ninguém.
Não voltarei atrás, o que está feito foi feito. E que assim seja.
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Realidade
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Sem chão; Com razão
Algumas vezes a razão da minha infelicidade é tão óbvia que eu preciso esconder de mim mesma os meus motivos para não ferir outras pessoas. Distância não resolve problemas; tempo não cura feridas. Agora, tudo aquilo que as pessoas me diziam há um ano e dois meses atrás está fazendo sentido. Carência é problema, e não ajuda se você estiver sozinho. Como fazer para tomar uma decisão pensando em seu bem estar sem machucar outra pessoa? Como descobrir se é amor de verdade, amor que aguenta longos períodos isolados, ou se é apenas apego e medo de nunca mais encontrar alguém? Eu já penso em tudo isso, e eu tenho apenas dezoito anos! Alguma coisa precisa ser feita! Meu coração está tão aflito! Tenho um nó instalado em minha garganta desde que tudo isso começou. Desde que, sob promessas, faríamos com que a nossa relação durasse para a vida inteira! Desde que, naquele mágico mês de Setembro, eu vi a vida sorrir para mim e abrir uma frestinha da porta da felicidade! Meu Deus, o quê eu faço? Como driblar a tristeza, mesmo quando estamos juntos, sendo que a certeza da separação demográfica apunhala meu peito a cada respiração? Eu não estou mais conseguindo lidar com isso! Como terminar tudo e esquecer todos os bons momentos, tudo aquilo que aprendemos um com o outro...? Como não se sentir ingrato e cruel numa situação dessas? Como? Como?
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